Na subversão
da libido o gozo suspeito de saideira
Denise Maurano
Resumo:
Esse ensaio
parte de alguns aportes extraídos
da arte trágica onde se exerce o culto
a Dioniso, deus do vinho. A psicanálise
aproxima-se aí da tragédia
na abordagem que ambas fazem da condição
humana. Elementos que dizem respeito ao final
da análise, como por exemplo, o desatrelamento
narcísico ao phallus, que implica
uma certa medida de dessubjetivação,
a queda do Pai, num endereçamento
ao além do Édipo, rumo à mulher,
são alguns dos aspectos que curiosamente
se associam às benesses visadas pela
embriaquês. A bebida compete com o
analista. Convocando ao estado de “fora
de si”, ela distrai o sujeito de seu
opressivo atrelamento subjetivo, aciona o
dispositivo da fala, encoraja o bebedor a
deixar cair o Pai e o impele à mulher, à entrega,
rumo a um gozo carente da dominação
fálica. Não se pode dizer que
ele não esteja no caminho, entretanto,
comprimido num atalho que deixou de fora
exatamente os elementos transfiguradores
do horror que tudo isso suscita.
Se queremos
extrair algum saber desse gozo que jaz encapsulado
no alcoolismo, tornemo-nos bacantes, discípulas
de Baco, deus do vinho, Dioniso na versão
grega, e vejamos o que ele tem, não
propriamente a nos dizer, mas a nos revelar.
A palavra aqui é mesmo revelar porque
extrapolando os efeitos do dito, busca-se
tocar o domínio da revelação,
já que o gozo aí implicado
excede ao campo da significação,
campo fálico por excelência,
e busca a experiência de um “a
mais” a ser encontrado no próximo
gole, na eterna saideira que não é senão
a celebração viva do encontro
com a morte, saída eterna.
Como voces sabem, Dioniso é filho da união de uma mortal, Semele,
a Terra, com um imortal Zeus, o Raio. Instigada pela ciumenta mulher de Zeus,
Terra, amante de Zeus, pede a esse que ele lhe prove seu amor mostrando-se
em toda a sua potência. Esse negócio de “toda potência” sempre
foi suspeito. Resultado: Raio, Zeus, fulmina a Terra e desse “encontro” nasce
Dioniso. A vida de Dioniso é simultaneamente a morte de sua mãe,
Semele. Vida e morte conjugadas por uma mesma operação: o raio
de Zeus.
Nosso velho Tirésias, na tragédia de Eurípedes As
Bacantes, conta-nos a respeito de Dioniso:
depois
da deusa veio o filho de Semele,
seu êmulo, que descobriu e revelou
o leve suco produzido pelas uvas
para curar de suas muitas amarguras
a triste raça humana; a simples ingestão
do néctar tirado das uvas, nos concede
o esquecimento dos males cotidianos,
graças à paz do sono, único remédio
para nossos padecimentos.
...
...Dioniso é um profeta,
e assim os seus delírios são divinatórios;
por isso, quando ele penetra fortemente
em nosso corpo, embriagando-nos, revela
o que ainda está por vir. 1
Se o sono
aí referido puder ser pensado como
preâmbulo do sono eterno ao qual a
morte se refere, se tem em Dioniso o profeta
da morte. não tomada em sua dimensão
derrisória, mas em sua dimensão
jubilatória. Onde o casamento com
a vida implicaria inclusive o acolhimento
da morte. Dioniso ama as festas realizadas
no seio das florestas onde suas seguidoras,
as bacantes permitiam-se todo tipo de excessos.
O coro nessa mesma tragédia assim
descreve sua função:
...Seu
encargo,
é conduzir os coros sempre dóceis
ao som das flautas, para adormecer
nossos cuidados e acordar o riso,
quando começa a cintilar o vinho
durante as comemorações sagradas,
e enquanto nos cortejos adornamo-nos
com ramos de hera a taça serve o sono
aos convidados!
...
Ao pobre e igualmente ao abastado
ele oferece em dose igual o vinho
que encanta e alivia. Ele detesta
aqueles cujo desejo constante
não seja, na claridade do dia
e na doçura da noite sombria,
saborear a ventura e a vida... 2
Penteu, rei
de Tebas na época da ação
dessa tragédia, manda Tirésias “à procura
de pistas desse efeminado” 3,
por ele estar, a seu ver, causando mal para
as mulheres, corrompendo-as nos lares tebanos.
E eis que quando o vê observa em sua
aparência não algo que lembre
um lutador, mas que lembra o amor. Penteu
também quer saber de onde Dioniso
traz os mistérios órficos. 4
Parece-me
que nós não podemos passar
impunemente por essa trança de elementos
que associam Dioniso, o deus do vinho, à morte,
ao gozo “a mais”, aos mistérios, à mulher,
e ao amor. A psicanálise certamente
tem algo a dizer sobre isso e a colher daí,
visando apreender parte da verdade que habita
o reino da embriaguês. Lacan certamente
não se enganou quando disse que “Freud
deve ser situado numa tradição
realista e trágica, o que explica
que é à sua luz que podemos
hoje compreender os trágicos gregos.” 5
Obviamente
não pretendo com esse ensaio depreender
a fundo as consequências dessa associação,
minha intenção é lançar
aqui algumas idéias e convidá-los
a fazerem comigo um certo percurso da tragédia
grega à contemporaneidade, que acredito
oferecer alguns aportes para a abordagem
da questão.
A arte trágica
se origina no culto à Dionísios,
deus do vinho, implicando por aí uma
elegia ao estado de “fora de si”,
um apelo portanto à dessubjetivação.
A palavra tragédia tem etimologicamente
o sentido de canto do bode, animal imolado
em homenagem a esse deus. Em minha tese de
doutoramento 6 onde aproximei
a tragédia e a psicanálise
pela perspectiva ética na abordagem
da condição humana, sugeri
que o bode imolado da Psicanálise é o
atrelamento narcísico do sujeito ao phallus.
Entretanto o despojamento desse atrelamento
narcísico, não significa a
anulação de toda e qualquer
referência fálica, da qual a
função paterna é sustentáculo.
A presença
do paradoxo na estrutura da tragédia,
tanto quanto na do inconsciente, vigora também
na cura analítica. Isso porque, se
o que é visado no trabalho analítico é o
acionamento da função do Nome-do-pai,
naquilo em que esta mostrou-se deficitária
para a regulação simbólica,
podemos dizer que a cura psicanalítica
pretende, entretanto, levar o sujeito a poder
se passar do pai, ou seja, a poder ultrapassá-lo,
desde que tenha podido servir-se dele.
O sintoma
funciona como a metáfora do resgate
do Pai para o sujeito que não pôde
servir-se dele, dado que este mostrou-se
insuficiente em sua função
de fiador do mundo simbólico, sustentáculo
do sentido que desalienaria o sujeito da “mãe-Natureza”.
A profusão
de sentido operada pelo acionamento do dispositivo
da fala na análise (isso acontece
porque meu pai...., é que quando eu
era pequeno aconteceu....), isso que
denomino como esgarçamento do sentido,
efetua-se para que esse sentido ampliando-se
desmesuradamente se rasgue, revelando o não-senso
que ele vem acobertar.
Eis aí a dimensão do que se situa na tragédia como queda
do pai, perda de garantia onde é tocado o registro do que está para
além do domínio do phallus. Ponto onde se localiza o
que Lacan veio a conceituar como A/ mulher, no sentido de enigma absoluto
para os homens (e também para as mulheres em sua dimensão empírica),
no sentido da alteridade absolutamente radical, que assinala um mais-além
da castração exatamente por não estar em relação
ao phallus. Sobre o uso do artigo definido para designar o universal
(A mulher), Lacan propõem que incida sobre ele uma barra (A/),
já que não há universalidade possível quando se
trata de A mulher. Creio que nessa abordagem dA/mulher se
situa o passo além dado por Lacan em relação à Freud,
no que diz respeito à detenção do sujeito diante do rochedo
da castração quando acusa nesse ponto o limite da análise.
Bem depois de ter apresentado o seminário A ética da Psicanálise,
Lacan percebe, na crítica que ali tinha feito a propósito do
bem visado de diferentes formas pela ética filosófica, que faltou
explicitar a questão do gozo aí implicada. Assim retoma o tema
da ética para revisá-lo, e analisar as diferentes funções
do gozo e do amor na economia psíquica, e suas conseqüências
nas ações humanas. É nesse momento que focaliza A
mulher em referência a uma possibilidade de gozo Outro, sempre visado,
que escaparia à referência fálica, às determinações
do órgão ou dos sexos; um gozo que fruiria de um mais-além
da linguagem, e por isso se avizinharia da mística. Tal gozo “a
mais” seria suposto ser próprio a A mulher; e os
sujeitos, mais do que marcados pela divisão implicada na bissexualidade
humana, seriam cindidos por uma outra dualidade — a dualidade de gozos:
o gozo fálico e um gozo Outro, suposto, sempre visado. É nesse
momento de sua obra que Lacan declara que sua perspectiva da Psicanálise
se alinha do lado do Barroco 7. O que nos abre um vasto campo de
pesquisa das relações entre o Barroco, as evocações
de gozo tão presentes nessa expressão estética e A/
mulher, tema de minhas investigações atuais. Entretanto,
não me estenderei nelas agora.
Prosseguindo
então, vemos que toda análise,
tanto para homens, quanto para mulheres,
na medida do possível conduz em direção
a A/ mulher. Diria que esse é o
ponto limite do saber, do sentido, da representação,
que está em uma relação
de vizinhança com o Nada ao qual chega
o herói na tragédia, para ir
até o fim com o seu desejo. Ir até o
fim com seu desejo, na Psicanálise,
significa ultrapassar essa ancoragem do sentido,
da espaçosa subjetividade, para tocar
um Nada que mostra bem seu valor efetivo,
dado que é tudo o que resta.
A cura analítica implica portanto, uma dimensão de dessubjetivação,
conduz a esse passo para além do Édipo, que na queda do Pai,
abre o acesso A/mulher, ao amor e a um gozo Outro em relação
ao fálico, ao sexual. Isso demanda um trajeto, um longo trajeto trilhado
com as devidas precauções já que o sujeito está aí rumo à assunção
de seu desamparo, de seu “troumatisme”, como diz Lacan referindo-se
ao traumatismo do buraco, instalado na fenda aberta para o sujeito falante
entre a Natureza e a Cultura, o que pode ser fonte do maior dos horrores.
Tal desamparo é reificado pela evidência da diferença entre
os sexos, que cinde e submete o sujeito a só ser Um em relação
ao Outro, polo intangível da absoluta alteridade, o que faz com que
o sujeito não seja senão mais ou menos Um, minando qualquer chance
de constituir-se como uma potência absoluta, de ser senhor da plena turgescência
vital, cujo significante é o phallus. Eis aí a dimensão
traumática da castração e a divisão radical do
sujeito da linguagem, aquele que exilado da Coisa que o faria pleno, deixa-se
fizgar pelos objetos que a sugerem e que, por isso mesmo, atuam como objetos
causa de desejo, como o denomina Lacan. A fantasia, melhor designada como fantasma,
vem então a ser o produto construído para proteger o sujeito
do real da perda do objeto, exprimindo a divisão do sujeito frente a
conjunção e disjunção com o objeto perdido que
lhe causa o desejo, o que se lê na fórmula lacaniana $<>a.
O analista em posição de objeto causa de desejo é agente
da operação que pretende promover não a dissolução
do fantasma, mas seu ultrapassamento. A idéia de dissolução
do fantasma só pode remeter à catastrófe, já que
eliminando o termo de relação o sujeito tombaria como objeto
a, enquanto puro resto, sem nenhum amor-tecimento possível.
Agora vejamos, qualquer semelhança dos efeitos da cura analítica
com as benesses buscadas na embriaguês não é mera coincidência.
Não é à tôa que a bebida compete com o analista.
Convocando ao estado de “fora de si”, ela distrai o sujeito de
seu opressivo atrelamento subjetivo, aciona o dispositivo da fala, encoraja
o bebedor a deixar cair o Pai e o impele à mulher, à entrega,
rumo a um gozo carente da dominação fálica. Não
se pode dizer que ele não esteja no caminho, entretanto, comprimido
num atalho que deixou de fora exatamente os elementos transfiguradores do horror
que tudo isso suscita. O fantasma ficou aí dissolvido em álcool.
Se isso eliminou seu caráter opressor, escravizante, diluiu também
a defesa que por ele se operava no sentido de impedir que o sujeito fosse tragado
pelo gozo sem limites da suspensão de todo sentido.
Quanto a arte trágica, associando as visões de Nietzsche e de
Lacan, pode-se dizer que transfigura-se o horror do desamparo que anucia a
morte através da música e da beleza das ações e
da cena. Na psicanálise creio que temos como elementos transfiguradores
dessa zona de horror em que operamos, por um lado, a musicalidade da fala,
na convocação a dizer tudo da regra fundamental que prioriza
o significante ao significado, e por outro lado, a presença do belo
que habita o manejo do amor analítico, denominado transferência.
Ao bebedor entretanto resta um encontro nu e crú reiterado pela certeza
da verdade que vigora nesse ponto ao qual ele se precipita, e pelo qual ele é sugado,
desaparelhado que está de armas de transfiguração. O bebedor é tragado
por um Dioniso que poderíamos chamar de bruto, absolutamente desmesurado,
sem nenhum pacto com o Apolíneo, com a bela medida, e nessa perspectiva
de sedução pelo paraíso da morte, não se vale nem
do véu da arte, nem dos recursos da Psicanálise.
Sabemos com Freud que a análise opera pela transformação
da neurose comum em neurose de transferência. A promoção
desse deslocamento na cura do bebedor tem como pré-condição
o surgimento de algum nível de incompatibilidade do sujeito com esse
apelo de totalização no gozo, as vezes uma doença, uma
perda significativa abrem essa oportunidade. Por essa brecha, num manejo hábil
da transferência, o analista pode promover no sujeito o trilhamento do
percurso do desejo. A transferência enquanto perspectiva particular do
amor é aí, nossa arma fundamental, já que como Lacan bem
sabia, só o amor pode fazer o gozo ceder ao desejo.
O desejo
não se confunde nem com a demanda
de amor que tenta veiculá-lo, nem
com a satisfação da necessidade.
Ele é desejo insatisfeito. Expressa-se
como articulação significante
da falta do objeto enquanto tal, falta da
plena potência vital, falta de seu
significante, o phallus.
É verdade,
Foucault tinha razão quando acusava
a primazia do sexual no campo da Psicanálise.
Essa é inventada na Contemporaneidade
em resposta à inflação
libidinal que age aí, buscando abordar
o apelo desesperado da conjugação
amor e sexo que aí se instala. Entretanto
cabe ressaltar que esse apenas é o
ponto de partida da Psicanálise,
que não seu ponto de chegada, nem
a totalidade de seu percurso. No mais além
do sexual Freud encontra a outra face do
desejo, sua face oculta: a morte. O que
faz com que tenha que lidar com uma ética
alheia as até então vigentes.
O princípio do Bem, seja ele qual
for, bem fundado no campo das éticas
filosóficas, mostra-se insuficiente
para reger as ações psíquicas.
Enquanto analistas, buscamos mais além
do princípio do Bem, e disso a intervenção
clínica que nos é própria,
tem que estar bem ao par. Sua ética,
afeita ao desejo, como o sabemos, não
deve apelar à um ideal, mas ao real.
E nesse real vigora o que o “espírito
esgarçadamente insatisfeito” de
nossa época bem o sabem, embora
sem o quererem saber: a impossibilidade
do ajuste perfeito entre os sexos, impossibilidade
de obturação da fenda do
sujeito pelo Outro, formulada por Lacan
como impossibilidade da relação
sexual. Assim embora passemos pelo leito
dos pais, não é aí que
ficamos na visada da Psicanálise,
essa operação deixa um resto
inassimilável por quaisquer conjugação,
apesar da profusão de apelos na
Contemporaneidade ao consumo do quer que
seja que prometa uma complementação
que estacaria a falta e funcionaria como
via de acesso à impossível
totalização. A apologia do
gozo prometido pelas drogas não
escapa a isso.
Bibliografia:
EURÍPEDES, Ifigênia
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_____________. Formulaciones sobre los dos princípios del acaecer
psíquico (1911)
_____________. Sobre la más generalizada degradación de la
vida amorosa (1912)
_____________. Sobre la dinámica de la transferencia (1912)
_____________. Tótem y tabú (1913)
_____________. Introdución del narcisismo (1914)
_____________. Puntualizaciones sobre el amor de transferencia (1915)
_____________. Pulsiones y destinos de pulsión (1915)
_____________. Lo Inconciente (1915)
_____________. Más allá del princípio de placer (1920)
_____________. Psicología de las masas y análisis del yo (1921)
_____________. Psicoanálisis y teoría de la libido (1923)
_____________. El sepultamiento del complejo de Édipo (1924)
_____________. El problema económico del masoquismo (1924)
_____________. Algunas consecuencias psíquicas de la diferencia
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_____________. El malestar en la cultura (1930)
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MAURANO, Denise. Nau do Desejo. Rio de Janeiro: Relume Dumará,
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_______________. A Face Oculta do Amor: Uma investigação
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de Doutorado em Filosofia, 1997, PUC/RJ.
Notas:
1 EURÍPEDES, As
Bacantes. Rio de Janeiro : Jorge Zahar
, 1993, pg. 219/220.
2 __________, pg.224.
3 __________, pg.222.
4 __________, pg.226.
5 LACAN, Jacques, O Seminário, Psicoses.
Rio de Janeiro : Jorge Zahar, p.273.
6 MAURANO, Denise, A face oculta do amor: uma
reflexão filosófica da tragédia à luz
da Psicanálise, Tese de doutorado, PUC/RJ, 1997.
7 ______, O Seminário, Mais, ainda.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p.145.
Denise Maurano
* Psicanalista, Doutora em Filosofia pela Universidade de Paris XII, Professora
da Universidade Federal de Juiz de Fora, organizadora da publicação: Agenda
de Psicanálise I e II, Circulação Psicanalítica e
autora dos livros Nau do Desejo, ed. Relume Dumará, e La
face cachéee de l’amour, FR, Presses Universitaires de Septentrion.
*Artigo publicado em espanhol no Pharmakon – Publicação
de Grupos e instituições de Toxicomania e Alcoolismo, Equador,
Bolivia, n. 8, 2000.