O objetivo desses encontros é a interpretação de textos literários a partir de Sigmund Freud, o criador da psicanálise, e de Jacques Lacan, o grande freudiano. Muito antes da invenção da psicanálise, os poetas já sabiam que compreender ou surpreender depende da direção do olhar.
Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara (Livro dos Conselhos).
(…) E o que vejo a cada momento / É aquilo que nunca antes eu tinha visto, / E eu sei dar por isso muito bem…/ Sei ter o pasmo essencial / Que tem uma criança se, ao nascer, / Reparasse que nascera deveras… / Sinto-me nascido a cada momento / Para a eterna novidade do Mundo… (Alberto Caeiro, O guardador de rebanhos, poema II).
(…) penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem (SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p.310)
Há dois perigos em tudo o que tange à apreensão de nosso campo clínico. O primeiro é não ser suficientemente curioso. Ensina-se às crianças que a curiosidade é um defeito feio, e, em geral, é verdade, não somos curiosos, e não é fácil provocar este sentimento de maneira automática. O segundo é compreender. Compreendemos sempre demais, especialmente na análise. Na maioria das vezes, nos enganamos. (O seminário, livro 2, o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985, p. 185).
Comentar um texto é como fazer uma análise. (…) Uma das coisas que mais devemos evitar é compreender muito, compreender mais do que existe no discurso do sujeito. Interpretar e imaginar que se compreende, não é de modo algum a mesma coisa. É exatamente o contrário. Eu diria mesmo que é na base de uma certa recusa de compreensão que empurramos a porta da compreensão analítica. (LACAN, Jacques. O seminário, livro 1, os escritos técnicos de Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1979, p. 90).
Textos escolhidos e cronograma
Março: dois contos —: O espelho (Primeiras Estórias) de João Guimarães Rosa e O espelho: esboço de uma nova teoria da alma humana de Machado de Assis.
Abril: Ensaio sobre a cegueira de José Saramago
Maio: O Mestre de Ana Hateherly
Junho: A paixão segundo GH de Clarice Lispector
