Ao introduzir pela primeira vez, em junho de 1964, no Ato de Fundação da Escola Francesa de Psicanálise (posteriormente denominada Escola Freudiana de Paris), o dispositivo do cartel, Lacan faz uma nova aposta na transmissão da psicanálise nos seguintes termos:
“Para a execução do trabalho, adotaremos o princípio de uma elaboração apoiada num pequeno grupo. Cada um deles (temos um nome para designar esses grupos) se comporá de no mínimo três pessoas e no máximo cinco, sendo quatro a justa medida. MAIS UM encarregado da seleção, da discussão e do destino a ser reservado ao trabalho de cada um. Após um certo tempo de funcionamento, os componentes de um grupo verão ser-lhes proposta a permuta para outro”. (“Ato de fundação”, in Outros escritos, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2003, p.235)
Porém, a dimensão dessa aposta se revela em sua plenitude no a posteriori de um percurso, quando, em março de 1980, em D´Ecolage, no momento imediatamente posterior à dissolução da Escola (janeiro de 1980), ele insiste nessa experiência:
“(...) dou partida à Causa Freudiana — e restauro em seu favor o órgão de base retomado da fundação da Escola — ou seja, o cartel — cuja formalização, feita a experiência, aprimoro:
Primeiro — Quatro se escolhem, para prosseguir um trabalho que deve ter seu produto. Eu preciso: um produto próprio de cada um e não coletivo.
Segundo — A conjunção dos quatro se faz em torno de um Mais-Um[Plus-Un] que, sendo qualquer um, deve ser alguém. Ele será encarregado de cuidar dos efeitos internos da empreitada e de provocar sua elaboração.
Terceiro — Para prevenir o efeito de cola1, permutação deve ser feita, no prazo fixado de um ano, dois no máximo.
Quarto — Nenhum progresso deve ser esperado, a não ser o de uma colocação a céu aberto periódica dos resultados, como das crises de trabalho.
Quinto — O sorteio assegurará a renovação regular das referências criadas com a finalidade de vetorializar o conjunto.” (“D’Écolage”, in Ornicar?, nº20-21, Paris, Lyse, 1980, p.15)
A importância desse “pequeno grupo” reside no fato de favorecer a emergência do desejo de saber que coloca o psicanalista na trilha da experiência do inconsciente e do encontro do Real, viabilizando, assim, o avanço da psicanálise.
O que se destaca do texto lacaniano é a necessidade de uma retomada constante da experiência freudiana naquilo que lhe é essencial, isto é, um estilo capaz de sustentar a formação permanente do psicanalista. Em outras palavras, trata-se do reconhecimento de que isso fala, pelas vias que são as das formações do inconsciente, e de que este saber já constituído é, por seu turno, um modo de contornar um vazio fundamental denominado de objeto a. Sendo o estilo relativo ao objeto a, ou, mais especificamente, a sua queda, cada sujeito terá uma maneira totalmente singular de simbolizar essa falta.
O cartel é, no contexto da formação do psicanalista, o dispositivo por excelência capaz de propiciar esse trabalho de escritura. Em outras palavras, o cartel, como uma dobradiça, apresenta as condições para propiciar a passagem da psicanálise em intensão para a psicanálise em extensão, criando uma outra modalidade de laço social.
O Corpo Freudiano em conformidade com essa perspectiva fundamental convida todos os membros e associados à retomada dessa experiência.
1 Em francês, de colle, de cola, é totalmente homofônico com d’école, de escola.
Sonia Leite
Informações e inscrições
I Jornada de Cartéis Rio-Campos
CARTÉIS EM FUNCIONAMENTO
Tema: O gozo em Jacques Lacan
Horário: terça-feira, 17:00h.
Márcia Werneck
Tema individual:
Nadiá Paulo Ferreira
Tema individual:
Heloneida Neri
Tema individual:
Julia Tosto Leite
Tema individual:
José Antonio Gatti
Tema individual:
Tema: Angústia de Freud e Lacan
Horário: segunda-feira, 9:00h.
Clarice Gatto
Tema individual: A angústia e o real
Lucia Maria de Freitas Perez
Tema individual: Angústia e criação
Sonia Leite
Tema individual: Angústia e foraclusão
Rita Barcellos
Tema individual: A angústia em adolescentes usuários de drogas
Tema: O feminino na psicanálise
Horário: quinta-feira, 13:00h.
Vivian Ligeiro
Tema individual: Feminino e angústia
Eliana Barros
Tema individual: Feminino e a relação mãe e filha
Marlise D'Icarahy
Tema individual: Posição feminina e fantasia
Fernanda Samico
Tema individual: Feminino e a formação do analista
Lucia Maria de Freitas Perez
Tema individual: Feminino e criação
Tema: Fenômeno psicossomático
Horário: segunda-feira, 8:30h.
Marli Cardozo
Tema individual: Fenômeno psicossomático e estrutura
Maria Elisa Saraiva Coelho
Tema individual: Fenômeno psicossomático e direção da cura
Fátima Dias Tremura
Tema individual: Fenômeno psicossomático e gozo
Flávia de Oliveira Friedl
Tema individual:
Tema: A angústia
Horário: quarta-feira, 11:30h.
Evair Marques
Tema individual: Bruxismo e angústia
Rosangela Nandes
Tema individual: Angústia e o sentimento de culpa
Cleuza Gonelly Pereira
Tema individual: A angústia e o Nome do Pai
Marcia Bonelli Mançu
Tema individual: A angústia na contemporaneidade
Tema: Psicanálise e religião
Horário: quarta-feira, 20:00h.
Dany Goldberg
Tema individual:
Doris Aronovich
Tema individual:
Rosalia Antunes Ferreira
Tema individual:
Selma Camargo
Tema individual:
Maria Julia Andrade
Tema individual:
Tema: Pedofilia e as perversões
Horário: terça-feira, 17:00h.
Denise Jalles
Tema individual:
Heve Barros
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Esther da Matta Barbosa
Tema individual:
Wecyani de Farias Nascimento
Tema individual:
CARTÉIS EM FORMAÇÃO
Tema: Gozo
Horário: quinta-feira, 19:00h.
Geraldo Piquet
Tema individual:
Sonia Leite
Tema individual:
Tema: Angústia
Horário: a combinar
Jorge Luis Vicente de Barros
Tema individual:
contato
Tema: Neurose obsessiva
Horário: a combinar
Jorge Luis Vicente de Barros
Tema individual:
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