PROGRAMAÇÃO DAS ATIVIDADES DO ANO DE 2008
O SINTOMA NA PSICANÁLISE
O conceito de sintoma é a condição de possibilidade da própria psicanálise. Ele surgiu pelo desejo de Freud em mostrar que havia um sentido mais estranho do que a medicina podia ler no que apresentavam as histéricas de sua época. Freud o toma como um enigma a ser decifrado. Se o discurso psicanalítico pôde emergir, foi porque Freud soube escutar as histéricas, soube ouvir os discursos do neurótico e demonstrar que o sintoma tem um sentido inconsciente. Assim, desde o início da psicanálise, o sintoma diz alguma coisa, mesmo que o sujeito nada saiba disso, ganhando valor de ser uma função de expressão do recalcado. O sintoma, para Freud, é considerado uma solução de compromisso entre o desejo inconsciente e a censura, como um retorno do que foi recalcado no inconsciente.
A orientação lacaniana nos acrescenta uma outra perspectiva. Sustentando-se na elaboração freudiana sobre o sintoma, Lacan dedica sua atenão para aquilo que Freud, sem o saber, já adiantava de uma teoria da linguagem quase estrutural, situando-o na dimensão do simbólico, onde o sintoma-mensagem se suporta num sentido recalcado podendo ser decifrado como as demais formações do inconsciente. A proposta de Lacan foi a de extrair o sentido do sintoma pelo rigor com o qual a ferramenta lingüística permitia: uma interpretação ao pé da letra, na linha da cadeia significante, na determinação temporal de um tempo posterior, na rigorosa obediência aos posicionamentos e predicações que os eixos da linguagem propiciam, considerando-o um fato de sintaxe.
Ao longo desse ano o Corpo Freudiano Escola de Psicanálise - seção Campos dos Goytacazes realizará suas atividades em torno da temática do sintoma, perfazendo o percurso de Freud a Lacan. Pretende-se também, nesse percurso, discutir o lugar e as manifestações do sintoma na contemporaneidade.
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